terça-feira, 7 de julho de 2009

Segunda morte

Depois de muito tentar...
Fujo pela estreita fenda na madeira
Ouço gritos, tempestade
Mas te buscar é minha vontade...

Sinto meus pés doloridos
Descalça, atrevo-me ao absurdo...
Volto pra você e pra seu mundo....
Aos poucos saio do escuro

Na velocidade de um pensamento
Atravesso a distância e o tempo
E consigo sentir na face
A língua voraz do vento...

Alguém segura a fina veste
De escuro sujo, morto...
Com força me afasto...
Preciso ver seu rosto

O encontro é sagrado,
Atiro-me em teus braços
Sinto tua angústia...
Estás amargo...

Sei que você não me vê...
Mas me sente, me toma...
Vivo vagando
Pois seu amor me aprisiona.

Acalma-me a angústia
Isso não machuca,
É o meu destino...
Não temos nenhuma culpa...

Não posso ficar muito mais tempo...
Afasto-me aos poucos e isso ainda me faz sofrer...
Sinto o frio e a escuridão do limbo
E mais uma vez me sinto morrer...

Então sigo meu caminho já conhecido
Volto e já sinto o cheiro do mofo envelhecido
Umidade, podridão...
Solitária putrefação...

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