domingo, 26 de julho de 2009

Buscas

Em época
Que a inspiração me escorre pelos dedos...
Sou suco
Por ser pobre em nutrientes

Infiltro-me na terra

Busco a paz... O sossego...
Fujo do mundo...
De seus segredos
Desejo ser abandonada
Por mim mesma...
Insensata frieza

Busco o infinito
Mas agora apenas me escondo
Do conflito...
Do ser

Sem condicionamento
Sem discernimento...
Mais uma vez de busca sem fim
Junto os pedaços
Decifro eu em mim...

Então em buscas vorazes...
Necessidades incompreendidas
Deixo minhas palavras
Sem texto, contexto, sem despedida...

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domingo, 19 de julho de 2009

...

Nascendo no solo abençoado
De vermelho sangue
Rainha temida
Tecendo danças ritmadas

Eu, filha da tríade
Sinto-te...

O vento desnuda-me
Inquieta Oyá

Sinto-te em tudo que me impulsiona
Em tudo que busco
Em meus batimentos
Pensamentos

O vento empurra-me
Inquieta Oyá

Ser temperamental
Dona de mim
Do que fui
Do que sou

O vento invade-me
Inquieta Oyá

Senhora de mil mundos
De vivos e mortos
Soberana implacável

O vento entrega-me
E quando parece sufocar
Sinto-me quase morrer...
Assim te encontro
Inquieta Oyá

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

CRER

Acreditar é verbo que aceita muitos complementos...
Creio no tempo, na magia
No milagre
Na fantasia

Creio em Iansã,
Rainha do vento
No feitiço cigano
No vício do jogo
Nos muitos enganos

Creio na beleza do escuro

Na paz transmitida pela luz
No poetar que a tantos seduz...

Creio em Wicca
Na grande Mãe Terra
Na lei do retorno
Em tudo que há nela

Creio em amor impossível
Em profeta atemporal
Em bruxa, em sábio, em sóbrio
Creio na insana certeza de que sou imortal...

Creio em destino
Na certeza de que razão e emoção coabitam
E nesse encontro de inexplicáveis segredos
Regras, rituais e limites todos nos ditam...

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terça-feira, 7 de julho de 2009

Segunda morte

Depois de muito tentar...
Fujo pela estreita fenda na madeira
Ouço gritos, tempestade
Mas te buscar é minha vontade...

Sinto meus pés doloridos
Descalça, atrevo-me ao absurdo...
Volto pra você e pra seu mundo....
Aos poucos saio do escuro

Na velocidade de um pensamento
Atravesso a distância e o tempo
E consigo sentir na face
A língua voraz do vento...

Alguém segura a fina veste
De escuro sujo, morto...
Com força me afasto...
Preciso ver seu rosto

O encontro é sagrado,
Atiro-me em teus braços
Sinto tua angústia...
Estás amargo...

Sei que você não me vê...
Mas me sente, me toma...
Vivo vagando
Pois seu amor me aprisiona.

Acalma-me a angústia
Isso não machuca,
É o meu destino...
Não temos nenhuma culpa...

Não posso ficar muito mais tempo...
Afasto-me aos poucos e isso ainda me faz sofrer...
Sinto o frio e a escuridão do limbo
E mais uma vez me sinto morrer...

Então sigo meu caminho já conhecido
Volto e já sinto o cheiro do mofo envelhecido
Umidade, podridão...
Solitária putrefação...

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